sábado, 9 de fevereiro de 2008

Sonho lúcido reflexivo

Este sonho me ocorreu nesta manhã, após um período acordado no final da madrugada, intervalo este em que meditei por cerca de 1 hora (meditação de concentração com foco na respiração). Após o período de meditação, resolvi voltar a dormir, porém ainda tentando conservar a lucidez, utilizando uma variante da técnica WILD, focando, porém, na vontade (ou melhor "firme propósito") de manter-me lúcido.

Acredito que essas práticas influenciaram bastante na formação do sonho lúcido, inclusive porque, parece-me, já entrei em sonho parcialmente lúcido, o que se refletiu no caráter "reflexivo" do sonho, como se verá a seguir.

Após acompanhar a formação de diversas imagens e "proto-sonhos", não sei bem quando mergulhei em um sonho mais estável e longo, de modo que o que relatarei aqui é a parte final de um sonho mais longo.

Estou no banco de trás de um carro, olhando para trás, observando a paisagem que se afasta enquanto o veículo anda. Penso mais ou menos o seguinte:

- "É engraçado, pois em um sonho sempre ocorrem coisas estranhas e aqui nada de errado está acontecendo, exceto por aquelas árvores lá longe, com formato meio esquisito, mas não são tão estranhas assim...". - Esse pensamento ocorria enquanto observava atentamente as árvores ao longe, e, ao mesmo tempo, tentava observar na paisagem e dentro do carro qualquer sinal que me confirmasse tratar-se de um sonho.

Então me ocorre uma idéia:

- "Talvez eu não esteja CONSEGUINDO detectar o que está estranho, pois em um sonho SEMPRE ocorrem coisas estranhas...Já sei! Talvez o MOTORISTA seja estranho !"

Porém, ao invés de me virar para a frente e observar o motorista, RESISTO A ESSA IDÉIA e continuo a olhar a paisagem. Surge então uma reflexão dentro do sonho: "por que será que não desejo olhar o motorista?"

Parece-me que a resistência ao desejo de olhar o motorista ocorria em razão de falta de lucidez. E, indo mais longe, esse fenômeno também ocorre na vigília: talvez não tenhamos tanta frequência em sonhos lúcidos (e mesmo mergulhar em meditação profunda) em razão de um certo comodismo, uma falta de vontade, um apego ao "conforto" em não ficar lúcido, uma espécie de preguiça, que nos põe a mover em direção à alienação. Creio ser essa a mensagem do sonho, nesse momento.

Não obstante, a lucidez aumentaria mais tarde, nesse mesmo sonho.

Não está claro em minha memória o que ocorre em seguida, tentarei narrar da forma que me parece mais provável, embora alguns fatos talvez estejam em ordem invertida.

Lembro-me que após aquela reflexão sobre o motorista, adormeci dentro do sonho, sonhando que estava em um pátio em frente de uma casa. Olho para baixo e vejo um pequeno inseto, que se transmuta em minha frente, voando em seguida. Penso:

-"Agora sim ! Isto é uma coisa estranha, como num sonho !"
Então, completamente consciente de que se trata de um sonho, tento voar, mas não consigo. Mas como já sei que é um sonho, persisto e consigo flutuar na rua.
Me vejo então na Av. 9 de Julho, flutuando entre as pessoas e veículos. Minha mãe aparece na calçada e exclama:
- "Então voce agora já consegue fazer isso no meio de todo mundo e em plena luz do dia !"
Resolvo então voar mais alto e posso agora vislumbrar os edifícios de apartamentos.
Aqui, como em outro sonho e em situação semelhante, fico um pouco confuso, pois tento "me lembrar" o que eu deveria fazer ou procurar, uma vez estando lúcido no sonho. Só que, agora, ao invés de acordar, respondo para mim mesmo:
- "Não importa, o que eu devo fazer é desfrutar do sonho !"
Minha interpretação aqui é de que, em um sonho, não podemos ser cínicos e mentir para nós mesmos. Assim, idéias elaboradas a partir de meras racionalizações não são bem-vindas dentro dos sonhos. Nestes, somos aquilo que realmente somos ! No caso, poderia ter feito "algo melhor", sem dúvida, porém, esse "algo" deveria estar em consonância com todas as esferas da mente (as vontades inconscientes etc). Por isso, o "desfrutar o sonho" foi uma espécie de "consenso" interno entre as diversas instâncias da mente.
Provavelmente em razão dessa idéia - "desfrutar o sonho" - vejo ao longe, em um dos apartamentos, uma mulher loira, de sutiã, na janela. Vôo até ela, mas ao me aproximar, sua face está nublada, pouco nítida.
Aqui começo a acordar...
Ou melhor, quase.
Pois ao acordar, permaneço de olhos fechados, em estado de sonolência, apenas observando o vermelho das pálpebras fechadas.
Sinto um adormecimento nas pernas, mãos e lábios, uma sensação agradável.
Entretanto, meus pés parecem se mover, apesar de me encontrar completamente imóvel.
Permaneço assim talvez pos uns 2 minutos, apenas sentindo essa sensação, de olhos fechados.
Enquanto isso, me ocorre que talvez seja essa a sensação daqueles que experimentam viagens astrais.
Fico nesse estado por mais algum tempo e parece que começo a ver o quarto em que me encontro, embora de olhos fechados. No entanto - verificarei mais tarde - esse quarto, ainda nublado, não é o quarto em que realmente me encontro, o que me levará a supor, mais tarde, já acordado, que talvez estivesse entrando novamente em estado de sonho. Ou não ?

2 comentários:

Vazalem disse...

Pessoal, não sei utilizar blogs, portanto gostaria que me indicassem o que devo fazer para postar os relatos dos meus sonhos lúcidos neste site. Valeu!

jholland disse...

Olá vazalem,
Podemos fazer assim: vc posta seu sonho lúcido como "comentário" em qualquer das postagens do Blog. Já coloque um título e a identificação de quem sonhou - caso vc queira se identificar, podendo usar pseudônimos etc. Uma vez postado o comentário, nós mesmos providenciaremos a publicação de seu texto como "Postagem" do Blog.
Bons sonhos !
jholland